MOEDA SOCIAL

Por: Ana Paula Barcellos e Andrea Viana Faustino

 

            A dinâmica econômica da sociedade como um todo está ligada não só ao consumo, nem somente à produção de bens e serviços, mas certamente à interação entre estes.

Desde  os primórdios da sociedade os indivíduos trocam entre si frutos de seus trabalhos. Primeiramente trocavam bens e serviços diretamente, ou seja, uma determinada quantidade de um produto A por uma determinada quantidade de produto B. Mas, imagine como seria complexo se tivessem ainda mercadorias C, D,... X, Z ? Este é o exemplo de nossa realidade, o número de produtos é cada dia maior. E como faríamos para trocar diretamente tudo o que precisamos para nossa subsistência ? É realmente impossível.

A necessidade de uma mercadoria que agisse como equivalente geral de todas as outras mercadorias surge, então, espontaneamente. Assim surge a moeda, inicialmente nas formas mais curiosas: sal, conchas, gado... Evoluindo para os metais, posteriormente para o papel, e nos dias de hoje na forma virtual. A partir da necessidade deste equivalente geral é que se delineiam as principais funções da moeda: servir como medida  de valor e de meio de circulação.

A moeda, ou o dinheiro, são imprescindíveis ao desenvolvimento de uma sociedade. Basta se observar um bairro que dispõe de poucos recursos financeiros e compará-lo a um que tem recursos disponíveis, a diferença é grande, E estas diferenças alçam escalas ainda maiores se observarmos cidades, regiões e países! Uma comunidade não consegue prosperar sem dinheiro. Aparentemente esta última afirmação parece voltada à lógica capitalista, mas não se deixe enganar...

Como na maior parte da economia mundial o dinheiro que vale é a moeda formal, quem não a possui não tem como se desenvolver, nem tão pouco alcançar um bem-estar digno. No combate desta realidade, é que começam a aparecer moedas alternativas, que dinamizam as economias locais.  Entre estas, a moeda social, com um caráter solidário incrustado em seu valor.

Se observarmos, sua eficácia dentro de um clube de trocas poderemos observar o seu real sentido de existência. Num clube de trocas, em que vários produtores se encontram para trocar seus produtos e serviços, é extremamente necessário que se tenha um objeto que sirva de medida de valor, ou seja, que possa definir o valor de todas as mercadorias em função de uma só mercadoria. Para que, as trocas fiquem dinâmicas e também indiretas, é imprescindível a existência de moeda,  onde cada participante pode trocar com os  demais, sem que estes necessariamente desejem consumir os produtos ou serviços do primeiro.

Poder-se-ia descrever ainda várias outras funções da moeda que se enquadram dentro deste contexto solidário, mas é importante ressaltar que uma das funções da moeda que deve ficar do lado de fora é o entesouramento. Em outras palavras, a acumulação centralizada de moeda, isto já vemos acontecendo diariamente em  nossa sociedade capitalista, é por conta desta centralização de riquezas que as pessoas e as regiões têm mais ou menos condições de se desenvolver não só materialmente, mas socialmente.  A moeda social, por sua vez, cria de uma forma especial um vínculo entre seus possuidores. Um vínculo econômico já que o consumo dentro de um mesmo grupo, faz com que este se auto-desenvolva, além é claro, de um vínculo social e inter-pessoal de indivíduos que comungam de ideais solidários.

A moeda social existe para distribuir a produção, proporcionar uma forma alternativa de geração de emprego e renda, por isto seu caráter solidário. O crescimento de um indivíduo, ou de um grupo, depende da circulação das riquezas, e com este intuito surge a moeda social...