A dinâmica econômica da sociedade como um todo está ligada não só ao
consumo, nem somente à produção de bens e serviços, mas certamente à interação
entre estes.
Desde os primórdios da sociedade os indivíduos
trocam entre si frutos de seus trabalhos. Primeiramente trocavam bens e serviços
diretamente, ou seja, uma determinada quantidade de um produto A por uma
determinada quantidade de produto B. Mas, imagine como seria complexo se
tivessem ainda mercadorias C, D,... X, Z ? Este é o exemplo de nossa realidade,
o número de produtos é cada dia maior. E como faríamos para trocar diretamente
tudo o que precisamos para nossa subsistência ? É realmente
impossível.
A
necessidade de uma mercadoria que agisse como equivalente geral de todas as
outras mercadorias surge, então, espontaneamente. Assim surge a moeda,
inicialmente nas formas mais curiosas: sal, conchas, gado... Evoluindo para os
metais, posteriormente para o papel, e nos dias de hoje na forma virtual. A
partir da necessidade deste equivalente geral é que se delineiam as principais
funções da moeda: servir como medida
de valor e de meio de circulação.
A
moeda, ou o dinheiro, são imprescindíveis ao desenvolvimento de uma sociedade.
Basta se observar um bairro que dispõe de poucos recursos financeiros e
compará-lo a um que tem recursos disponíveis, a diferença é grande, E estas
diferenças alçam escalas ainda maiores se observarmos cidades, regiões e países!
Uma comunidade não consegue prosperar sem dinheiro. Aparentemente esta última
afirmação parece voltada à lógica capitalista, mas não se deixe
enganar...
Como
na maior parte da economia mundial o dinheiro que vale é a moeda formal, quem
não a possui não tem como se desenvolver, nem tão pouco alcançar um bem-estar
digno. No combate desta realidade, é que começam a aparecer moedas alternativas,
que dinamizam as economias locais.
Entre estas, a moeda social, com um caráter solidário incrustado em seu
valor.
Se
observarmos, sua eficácia dentro de um clube de trocas poderemos observar o seu
real sentido de existência. Num clube de trocas, em que vários produtores se
encontram para trocar seus produtos e serviços, é extremamente necessário que se
tenha um objeto que sirva de medida de valor, ou seja, que possa
definir o valor de todas as mercadorias em função de uma só mercadoria. Para
que, as trocas fiquem dinâmicas e também indiretas, é imprescindível a
existência de moeda, onde cada
participante pode trocar com os
demais, sem que estes necessariamente desejem consumir os produtos ou
serviços do primeiro.
Poder-se-ia
descrever ainda várias outras funções da moeda que se enquadram dentro deste
contexto solidário, mas é importante ressaltar que uma das funções da moeda que
deve ficar do lado de fora é o entesouramento. Em outras palavras, a acumulação
centralizada de moeda, isto já vemos acontecendo diariamente em nossa sociedade capitalista, é por conta
desta centralização de riquezas que as pessoas e as regiões têm mais ou menos
condições de se desenvolver não só materialmente, mas socialmente. A moeda social, por sua vez, cria de uma
forma especial um vínculo entre seus possuidores. Um vínculo econômico já que o
consumo dentro de um mesmo grupo, faz com que este se auto-desenvolva, além é
claro, de um vínculo social e inter-pessoal de indivíduos que comungam de ideais
solidários.
A moeda social existe para distribuir a produção, proporcionar uma forma alternativa de geração de emprego e renda, por isto seu caráter solidário. O crescimento de um indivíduo, ou de um grupo, depende da circulação das riquezas, e com este intuito surge a moeda social...