ABORDAGEM TRANSDISCIPLINAR HOLÍSTICA EM ODONTOLOGIA

“O importante não é a perfeição com a qual conseguimos realizar o que deve provir da vontade, e sim o que tiver de surgir nesta vida, por mais imperfeito que venha a parecer, seja feito uma vez para que haja um começo.” Rudolf Steiner

Apresentação:
Esta abordagem visa demonstrar a interação entre a Odontologia e as demais disciplinas que formam o campo da Saúde, no nível de ação biológico (Medicina, Farmácia, Enfermagem, Nutrição e Dietética, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Educação Física).
Intenciona ir além do nível corporal, buscando nas terapias vibracionais como a Homeopatia, Acupuntura, Relaxamento e Hipnose, entre outras, as luzes para uma Abordagem Holística da Odontologia.
Precisa integrar-se às disciplinas das áreas humanas: Psicologia, Filosofia, Sociologia ,Antropologia, Economia, Políticas Públicas .
Pretende ampliar a visão da odontologia, através e entre suas variadas especialidades, indo além delas, nas suas repercussões ao meio-ambiente ,saúde sistêmica e coletiva.
Humanizá-la e ecologizá-la . Isto implica, sem sombra de dúvida, um grande desafio a todos os que se propõe a trilhar este caminho, representando um profundo mergulho e ,ao mesmo tempo, um alto vôo na desconstrução dos paradigmas hegemônicos na odontologia e na disciplinaridade como um todo. Para isso, é importante esclarecer o paradigma dominante e suas alternativas.
O paradigma cartesiano-newtoniano, que norteou a epistemologia científica até agora, e que já demonstra evidentes sinais de crise foi uma reação ao paradigma escolástico-aristotélico da Idade Média. Demonstrar ,esclarecer sem jargões excludentes e limitantes o que isso representa para profissionais, população e instituições no seu comportamento, prioridades e estilo de vida é algo que por si só já é terapêutico. Porquê? Porque se trata de transformação, de mudança, de crises existenciais, familiares, sociais e ambientais que tendem a não sair do já antiquado modelo, com um efeito regressivo, prisioneiro de um tempo passado. A humanidade está doente, bem como a medicina e todas as ciências da saúde, da doença para ser mais honesto.E, isto não é questão de especialistas, apenas, e sim, de todos. Se trata, portanto , de reapropriação, de socialização ,de direitos humanos, e por conseguinte de responsabilidade cósmica, planetária.

Reavivar na memória de todos o sentido e cuidado com o Ser é resgatar o significado do Terapeuta, como inspirada e poeticamente Jean-Yves Leloup descreve: “Quando Fílon diz que o Terapeuta é um filósofo , não se deve ignorar que este continua sendo um díscipulo tanto de Moisés como de Platão. Esses filósofos, que andam à procura da Inteligência Criadora ( Sophia ) , para amá-la , são também médicos (Iatriké ) ; cuidam dos corpos mas , observa atentamente Fílon , não cuidam apenas do corpo , pois é por isso que merecem o nome de “ Terapeutas “. E esclarece : para o Terapeuta , o corpo não pode ser visto somente como um objeto , uma coisa ou uma máquina funcionando com defeito , que seria mister “ consertar”. Não; o corpo é um corpo “ animado “. Não há corpo sem alma ; um corpo sem alma , não sendo mais “ animado”, não merece o nome de corpo , mas de cadáver. Cuidar do corpo de alguém é prestar atenção ao sopro que o anima . Para os antigos hebreus , a doença e a morte se achavam ligadas a uma “perda” ou a uma falta de ar ( sopro ) . Ressuscitar , fazer alguém voltar à vida , era fazer novamente circular o ar ( sopro ) nos membros da pessoa ... Nossa vida depende de um sopro , o Terapeuta cuida desse sopro que informa o corpo.”

Desenvolver no cirurgião-dentista e demais profissionais de saúde a noção de Terapeuta é colocá-los à altura de novos tempos, em que a crise é prenúncio de um salto de consciência sem precedentes na história da Humanidade, onde o ideograma chinês Wei-Ji representando perigo e oportunidade é muito significativo. Porque, em função da alta tecnologia se faz urgente desenvolver alta sensibilidade, para equilibrar esta polaridade . Neste ponto é mister lembrar a todos o que muitas pesquisas nos revelam; cada vez mais, pessoas cansadas das formas impessoais e neutras de tratamento buscam terapias em que seja resgatada o contato humano qualificado, em outras palavras o salto de “paciente” para “agente”, a saída de uma dependência fragilizante e doentia para uma interdependência responsável e sadia. Muito dessa demanda é fruto de movimentos sociais, que passam desapercebidos da grande mídia, das instituições de ensino e saúde e dos governos, porque se desenvolvem onde se registram as maiores falhas em modelos convencionais de atendimento, tais como saúde da mulher, de grupos étnicos e religiosos, e dos movimentos ecológicos preocupados em obter tecnologias apropriadas, com ênfase na auto-sustentabilidade, movimento que começa a ser identificado como Terceiro Setor. Quer dizer, neste caso oportunidade adquire um sentido muito maior do que simplesmente ganhos monetários; o estar à altura, anteriormente citado é nos darmos conta - ainda há tempo - de que precisamos, para ontem, sairmos do caminho do dinossauro rumo à extinção, e trilharmos a via do mutante para a Inteireza e Integridade, num modelo de mundo auto-sustentável e interligado. No dizer de Albert Einstein : “ O ser humano vivencia a si mesmo, seus pensamentos como algo separado do resto do universo que o cerca – uma espécie de ilusão de ótica de sua consciência, moldado pela cultura. E essa ilusão é uma prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Poderá ser que ninguém consiga atingir plenamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior” .
Portanto, muito mais que buscar novas modalidades de tratamento, numa verdadeira obsessão pela saúde perfeita, como tão oportunamente nos alerta Ivan Illich, podemos isto sim nos recordarmos que temos dentro de nós um microcosmo que nos possibilita o poder do livre-arbítrio entre a escravidão a preconceitos, dogmas e sistemas de crença limitados e limitantes e a liberdade com abertura, responsabilidade e consciência da unidade na totalidade.

Abordagem Transdisciplinar Holística em Saúde Bucal
A boca e os dentes sempre foram, e são cada vez mais, muito valorizados em múltiplos aspectos que impulsionam a imaginação, as fantasias e as crenças de todas as pessoas. Desde muito tempo que as Tradições de Sabedoria simbolizam através dela forças vitais e espirituais da humanidade.
Partindo da abordagem do inconsciente de Jung pode-se entender a boca como lugar de origem e manifestação da libido -no alemão, LIB, dá origem a LIFE (VIDA) e LOVE(AMOR). Portanto, daí depreende-se como são amplas e importantes as representações e significados que este órgão adquire coletiva e individualmente
Como cirurgião-dentista posso constatar cotidianamente o quanto essas representações inconscientes afetam, alteram e condicionam a saúde oral e sistêmica, isto é, do organismo como um todo. E, mais, como são individualizadas as manifestações de saúde e doença na cavidade bucal
Comecei a me dar conta ,reservadamente a princípio e não sem satisfação , que existem numerosas terapias e cuidados não-convencionais que mantém a saúde oral sem a intervenção direta do dentista. Entre as quais posso citar a alimentação natural, o alimento vivo, o uso da própolis, a fitoterapia(ervas e plantas medicinais), macrobiótica, medicina Nishi, potencializados pela homeopatia, florais , aromaterapia, acupuntura e biocibernética bucal, hipnose e relaxamento entre outras.
Concomitantemente com o estudo e a prática da odontologia convencional dediquei-me a pesquisa e experimentação das terapias naturais e energéticas, entre elas a medicina oriental e a homeopatia, e pude constatar através da observação clínica e relato de pessoas usuárias das mesmas a contribuição benéfica para a homeostase da boca, isto é, seu funcionamento saudável com repercussões em todos os demais órgãos e sistemas do organismo humano.
Acredito que o fio condutor da saúde seja realmente a consciência de si e da religação com o cosmo e seu Criador, o auto-conhecimento, que nos possibilita a chance de escolha entre a dependência fragilizante e doentia ou a interdependência vitalizante e natural.
Posso adiantar que neste seminário pretendo passar a todos os que dele participarem estas possibilidades terapêuticas ao alcance de cada pessoa que se interesse por se responsabilizar por sua saúde e da comunidade a que pertence, integrados nesta rede invisí-vel e silenciosa de transformação que se amplia a cada despertar de consciência.
Eduardo Cezimbra, CD Homeopata, Formação Holística de Base pela Universidade Holística Internacional de Brasília, Campus Avançado do Sul, Porto Alegre.

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