O
cérebro trocado em miúdos
HELOÍSA HELVÉCIA
free-lance para a Folha
O acidente que provocou lesões nos lobos temporais do músico Herbert
Vianna mudou também o tipo de leitura de seu irmão Hermano. Antropólogo
com interesse em música brasileira, ele se viu compelido a buscar o maior
número possível de informações sobre o funcionamento do cérebro.
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Leonardo Aversa/Agência O Globo
Herbert Vianna, que sofreu lesões nos lobos temporais, em seu
primeiro show após o acidente |
Há um ano e meio —desde que o
líder do Paralamas caiu no mar com o avião que pilotava—, Hermano
Vianna vem lendo sobre lesões cerebrais. "No Brasil, há pouca
informação disponível escrita em linguagem compreensível",
afirma. "Qualquer informação séria e de qualidade, que não
esconda a dificuldade do tratamento, é bem-vinda."
A informação ainda é insuficiente, sobretudo para quem tem um
interesse muito específico, mas o fato é que no período em que
Hermano se afundou nas leituras sobre o cérebro as editoras colocaram
mais de uma dúzia de livros nas prateleiras.
O espectro dos lançamentos é amplo. Alguns abordam disfunções e seus
tratamentos, outros tentam explicar os mistérios da mente. Mas todos
têm algo em comum além do tema: são, em maior ou menor grau,
acessíveis ao leigo.
No início, orientado pela família da mulher de Herbert —Lucy, morta
no acidente—, Hermano informou-se em panfletos da organização
britânica Headway (www.headway.org.uk),
que presta ajuda a pessoas com lesão cerebral, e em textos da entidade
americana Brain Injury Association (www.biausa.org),
que dão respostas simples para as dúvidas das famílias.
Hoje, não é mais tão necessário navegar em sites em língua
estrangeira. Muito do conhecimento sobre o cérebro, até mesmo as
descobertas mais recentes, já está disponível ao público em
português.
Na busca de esclarecimentos sobre as funções da mente, Hermano leu
alguns livros que o ajudaram. Os que considera mais importantes são
"O Erro de Descartes" e "O Mistério da
Consciência", ambos do neurocientista português António
Damásio, chefe do departamento de neurobiologia da Universidade de Iowa
e professor-adjunto do Instituto Salk de Estudos Biológicos, em La
Jolla, Califórnia (EUA).
Agora, Hermano está lendo "Fantasmas no Cérebro", do
neurocientista indiano V.S. Ramachandram em parceria com a jornalista
americana Sandra Brakeslee, do jornal "The New York Times".
O livro trata de um dos problemas específicos de Herbert, que é a
memória recente. "É escrito em estilo muito agradável e fornece
um panorama completo dos estudos atuais", avalia Hermano.
O histórico intelectual de Herbert vem sendo decisivo na sua
recuperação. O portador de um cérebro ativo, com maior número de
conexões e circuitos entre as áreas cognitivas, terá mais
alternativas para tratar uma lesão cerebral, segundo o neurocirurgião
Paulo Niemeyer Filho, da equipe que assiste o Paralamas. "No caso
de Herbert, a música, assim como suas possibilidades de linguagem,
foram de fundamental importância como exercício de memória, terapia
ocupacional e reintegração social."
Herbert parece ter consciência de suas limitações. Em julho, em sua
primeira apresentação pública depois do acidente, tocou, cantou e
até brincou com a deficiente memória de curto prazo, também chamada
de memória operacional: "O malandro aqui ficou com um mínimo
operacional".
A recuperação surpreendente de Herbert é um exemplo da plasticidade
do cérebro, nada mais que sua capacidade de se reorganizar e se
transformar a todo segundo, por meio de experiências, pensamentos,
ações e sentimentos. O conceito, embora não seja novidade, só agora
começa a ser assimilado pelo público leigo.
Se a matéria oculta no crânio não é uma estrutura completamente
rígida, como a ciência supôs durante décadas, não só é possível
como é preciso aprender sempre.
É nessa tecla que insiste o neuropsiquiatra americano John Ratey, autor
do livro "Cérebro, um Guia para o Usuário". Ao popularizar
conceitos da medicina, o livro convida o leitor ao autoconhecimento
neurológico e explica o que há de novo sobre percepção, memória,
emoção, linguagem, movimento, aprendizado.
O guia promete aumentar a agilidade do cérebro por meio das descobertas
científicas. Mas o que há de conhecimento recente sobre funções
cerebrais só referenda conselhos simples e antigos, como o de usar os
neurônios para não perder as conexões entre eles.
Não é preciso usar muitos neurônios para desconfiar de soluções
rápidas e absolutas na potencialização das faculdades cognitivas.
"Modificar o cérebro exige esforço", diz Ratey, pelo
telefone, da cidade de Vermont (EUA), onde passa férias.
O autor argumenta que, para chegar a esse ponto, é preciso repetir um
novo hábito e exercitar uma atitude diferente por meio de treino. A
prática é importante. "Se você viver a experiência uma vez
seguida da outra, você muda a maneira como o seu cérebro age. Assim,
ele é remodelado."
Uma leitura, um estudo, um interesse diferente criam novos padrões de
atividade das células nervosas e outras conexões entre elas.
Livros sobre o cérebro podem ter sua contribuição. No caso do de
Ratey, o leitor ganha uma síntese das atuais certezas e especulações
da neurociência, essa disciplina recente que surgiu da integração de
especialidades que até os anos 70 estudavam o sistema nervoso de
maneira desarticulada (a pesquisa deslanchou a partir dessa
confluência).
Ao contrário do que sugerem vários livros à venda, não há receita
imutável para desenvolver memória ou capacidade de leitura. "E a
que há é tão simples que não pode ser vendida", afirma o
médico e neurocientista Cláudio Guimarães dos Santos, da Universidade
Federal de São Paulo, especialista em memória e aprendizagem.
A ciência ainda se pergunta o que é memória: seria um espaço de
armazenagem, a ação de recuperar dados ou a formação das
lembranças? Mas tem uma certeza: essa função ligada à aprendizagem,
ao entendimento e à consciência está distribuída pelo cérebro em
redes neuronais.
O que registra o conhecimento é um padrão de conexão entre as
células e tudo o que é aprendido altera esse padrão. Assim, memorizar
pode ser fazer associações ou apagar algumas conexões inúteis. Uma
única lembrança é uma infinidade de peças: o cheiro, a visão, o
tato, o gosto, a palavra. As emoções relacionadas a essa memória têm
endereços diferentes no cérebro. Uma informação nova será tanto
mais fácil de recuperar quanto maior for o número de vínculos que a
pessoa puder estabelecer entre a novidade e o repertório já existente.
As teorias em curso vêem o cérebro cada vez menos como máquina e mais
como ecossistema. No livro de Ratey, o órgão é comparado a uma selva
em evolução contínua. "A cada segundo, nós temos um sistema
novinho em folha na nossa cabeça. Então, não dá para comparar com um
sistema estático, que executa programas predeterminados, como o
computador", afirma o autor.
No livro, porém, ele ainda se vale da analogia para explicar a memória
operacional, aquela que detém poucos dados por um período bem curto,
como um número de telefone guardado só até o momento de discar.
"É que fica mais fácil, mesmo não sendo correto, comparar essa
função à memória RAM do computador, para que as pessoas entendam o
conceito de memória sobrecarregada", diz Ratey.
O paralelo entre mente e computador está em desuso, mas quem quiser
tentar entendê-lo (e enfrentar retórica darwinista) pode ler
"Como a Mente Funciona", de Steven Pinker. Para esse
psicolinguista canadense, o órgão mais sofisticado do homem não passa
de um sistema de computação projetado pela seleção natural para
resolver os problemas que nossos ancestrais enfrentavam na sua vida de
coletores de alimentos.
Pinker sustenta que tudo na nossa cabeça está organizado em módulos,
"cada qual com um design especializado". Mas o neurocientista
afirma também que sua teoria não é "a mesma coisa que a
desprezada metáfora do computador" e até endossa os argumentos
dos seus críticos. Chamado de popstar da neurociência, Pinker é
criticado por sua devoção à psicologia evolutiva, um ramo que
produziu teorias controversas sobre as diferenças entre sexos.
O neófito nesse tema tem a impressão de que há mais jeitos de ver o
cérebro do que os trilhões de conexões dentro dele e pode se espantar
com as dicotomias que marcam os estudos. Há por exemplo, entre muitos
outros "istas", "localizacionistas" e "holistas"
—cientistas divididos quanto à representação das funções neurais,
se em áreas específicas ou em regiões simultâneas do cérebro. Mas
ninguém hoje imagina que o pensamento humano siga uma lógica binária.
O psiquiatra e filósofo Henrique Schultzer Del Nero, da USP, não dá
tanta importância à polêmica do computador. "A moda agora é
falar mal da computabilidade", diz.
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Fabiano Cerchiari/Folha Imagem
Henrique Schultzer Del Nero, psiquiatra e filósofo |
No seu livro "O Sítio da
Mente", Del Nero usa a alegoria da máquina e também compara a
mente a uma empresa organizada em departamentos estanques (neurônios
segregados em um espaço fixo), que trabalham de forma quase automática
até que as pressões de mercado exijam que os departamentos se associem
e funcionem com mais flexibilidade (neurônios espalhados pelo
cérebro).
Na empresa-cérebro, as regras são mutáveis e não-seriais, o
conhecimento é distribuído, os centros de poder estão pulverizados e
as tomadas de decisão também se dão fora da sede (cultura e ambiente
agindo no processo mental).
Os avanços dos últimos anos multiplicaram a quantidade, mas não a
qualidade de informações sobre o sistema nervoso, na avaliação de
Del Nero. Ele diz, entretanto, que há um grande estoque de conhecimento
novo sobre memória, aprendizado e envelhecimento, permitindo o desenho
de tratamentos mais adequados às disfunções.
"Progredimos um pouco, mas é preciso abaixar a crista",
afirma Del Nero, referindo-se aos limites da ciência. Ele recomenda
cautela diante de insinuações de que o conhecimento cerebral traz uma
vida pessoal melhor, embora isso possa ser verdade.
O problema é cair na tentação de dizer o que os outros querem ouvir.
"O idoso, por exemplo, quer ouvir que tem direito à memória, à
capacidade de aprendizado e a ereções", afirma ele. "Livros
que prometem o avanço cerebral como forma de ajudar a melhorar a vida
não deixam de ser uma traição aos princípios" da ciência,
critica o psiquiatra.
No seu "Guia para o Usuário", Ratey não esconde certa
euforia com o impacto que os avanços sobre a mente teriam sobre a
qualidade de vida. Del Nero, no entanto, se diz mais interessado em
conhecer aquilo que não se pode esperar. "O homem flerta com a
ciência no que ela tem de utilitária, e as pessoas usam a complexidade
neuronal para endossar suas crenças", diz. E compara: "É
como usar a descoberta de uma galáxia para concluir que só uma
criatura superior poderia compreender a grandeza do universo".
O alarde em relação a descobertas sobre a mente e as maiores
exigências do mercado de trabalho criam um público para toda a
literatura voltada para a compreensão do cérebro. Essa busca
populariza o saber, mas não incentiva apenas o surgimento de produtos
tipo você-e-a-mente-em-dez-lições.
Um livro acessível e atual sobre os achados da neurociência é "O
Cérebro Nosso de Cada Dia" (Vieira & Lent), escrito por Suzana
Herculano-Houzel, uma brasileira de 29 anos que trocou um instituto de
pesquisas do cérebro na Alemanha pela divulgação científica no
Brasil, mesmo sabendo que por aqui a missão "ainda é vista com
preconceito dentro da academia".
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| A neurocientista Suzana
Herculano-Houzel, que diz que a divulgação científica é
vista com preconceito pela academia |
Seu livro consiste em um conjunto
de textos curtos que podem ser lidos em qualquer ordem, com
informações científicas explicadas de forma atraente e simples,
"mas não simplificada", diz a autora.
O livro resulta do sucesso que a revista eletrônica dessa
neurocientista (www.cerebronosso.bio.br)
fez entre internautas. Por meio do site, Suzana mediu o grau de
conhecimento das pessoas sobre o tema. Descobriu que a maioria não
associa aprendizado à capacidade de modificar o cérebro por meio da
experiência.
Um dos artigos de "O Cérebro Nosso de Cada Dia" apresenta,
com reservas, a "Neuróbica", programa de exercícios para
reforçar as conexões entre diferentes partes do cérebro, explorando
apenas funções sensoriais e motoras.
A idéia é do neurocientista americano Larry Katz, autor de
"Mantenha Seu Cérebro Vivo - 83 Exercícios Neuróbicos para
Prevenir a Perda de Memória e Aumentar a Agilidade Mental".
Segundo o neurocientista Cláudio Guimarães dos Santos, qualquer quebra
na rotina altera o padrão de conexão, mas a pessoa precisa escolher
como e para que quer alterar esse padrão. "Escovar os dentes com a
mão esquerda e coçar a cabeça com a direita deve ser interessante
para um baterista destro, por exemplo."
Estudar ainda é a atividade mais importante para manter a saúde do
sistema nervoso e fazer do cérebro uma útil ferramenta para solução
de problemas. As pesquisas já mostraram que pessoas com baixa
escolaridade estão menos protegidas contra efeitos do envelhecimento
mental e doenças como a de Alzheimer, que destrói algumas células do
cérebro.
Uma das pesquisas foi feita com centenas de religiosas de um mosteiro em
Minnesota, EUA. Essas monjas, que viveram bem mais de 90 anos, se
distraíam com quebra-cabeças, concursos de ortografia e debates
semanais, para afastar a mente da "oficina do Diabo". Acabaram
fortalecendo conexões envolvidas em aptidões espaciais, estimulando a
área da linguagem no cérebro e ativando as redes de raciocínio.
O estudo concluiu que atividades intelectualmente provocantes favorecem
o crescimento de dendritos e axônios (estruturas de entrada e de saída
de um neurônio), aumentando o número de conexões neurais.
Quando o cérebro é danificado por doença, esse maior número de
associações permite o desvio de mensagens para outros trajetos,
compensando o dano. Mas não adianta querer turbinar o intelecto com
atividades estereotipadas, como palavras cruzadas. "Exercitar a
mente é perseguir interesses genuínos", diz Cláudio Guimarães.
"Há quem tente ensinar mnemotécnicas, leitura dinâmica, mas o
aprendizado pede estratégias individuais. Cada um terá que construir e
desenvolver a sua própria. Técnicas padronizadas são inúteis."
Os neurocientistas estão certos de que a base do aprendizado está no
processo de fortalecimento das sinapses. O termo "sinapse",
criado pelo fisiologista inglês Charles Sherrington (1857-1952), define
as conexões entre neurônios como os espaços onde se dão essas
transmissões de mensagens de uma célula para outra.
Segundo John Ratey, novos neurônios nascem principalmente nas áreas da
memória e do entendimento. "Até mesmo em idade avançada essa
renovação ocorre, o que é maravilhoso", afirma. "Quando a
pessoa é estimulada a adaptar seu cérebro a aprender, cria o ambiente
propício para que algumas células-tronco se transformem em
neurônios."
Para criar essas condições, Ratey sugere futebol, por exemplo. "O
exercício aeróbico e o treino são adubo para o cérebro. Depois de
jogar futebol, o seu cérebro estará mais disposto a aprender",
diz o neurocientista, que tratará dos exercícios físicos em seu
próximo livro.
Informações novas estimulam o cérebro, mas em excesso podem ter
efeito contrário. Sem ter como digerir todas as informações
decorrentes das novas tecnologias, as pessoas podem apresentar
dificuldade de concentração. "A abundância de dados gera
estresse, porque exige um tempo de que não dispomos para lidar com
eles, e se o estresse agudo é até bom para as sinapses, o crônico
destrói a memória de curto prazo", afirma Suzana Herculano-Houzel.
O processo de aprendizado é sempre gradativo, pede paciência. Jogar a
favor da plasticidade cerebral é se debruçar sobre problemas, investir
a vida toda em formação, cotejar e selecionar dados, ampliar as fontes
de conhecimento. A neurociência manda metabolizar informação, atitude
oposta ao culto de dicas e regrinhas que impera nas prateleiras.
Quanto maior a pilha de livros sobre o cérebro, maior a polêmica.
Ratey apresenta o avanço da neurobiologia como a força capaz de livrar
os homens das culpas apontadas pela psicanálise. Ele parece acreditar
que todo desconforto mental ainda será explicado com um gene, uma peça
defeituosa do tecido cerebral ou um neurotransmissor desequilibrado.
O psiquiatra Contardo Calligaris não é avesso à popularização
científica. Ao contrário. "Suspeito de qualquer saber que não se
preste à vulgarização", afirma ele. Mas lembra que a ciência
está longe de conhecer o comportamento de proteínas e enzimas que
operam no cérebro, e que o máximo que as pesquisas dos últimos anos
conseguem apontar é uma "vulnerabilidade genética".
Um exemplo do que ele diz é a
pesquisa sobre personalidade violenta publicada este mês na revista
científica americana "Science" (www.sciencemag.org).
Pesquisadores do Reino Unido, dos EUA e da Nova Zelândia concluíram
que um gene evita que crianças maltratadas se tornem adultos violentos.
O estudo examinou a combinação de dois fatores, o ambiente (o trauma
de infância) e a genética.
O achado da pesquisa é que o gene sozinho não decreta a personalidade
violenta. "Nossa bateria de genes são potencialidades. O destino
se fabrica no encontro com o ambiente", diz Calligaris.
Ao responder se a psicanálise está tão enfraquecida como parece em
seu livro, Ratey foi propositalmente ambíguo, para frisar que tudo, em
relação ao cérebro, tem dupla face. "Há mais evidências
mostrando que o cérebro tem influência enorme sobre algumas
características de personalidade e de problemas psicológicos, que
certamente destronaram algumas crenças da psicanálise."
Mas a teoria psicanalítica, ele reconhece, é importante para explicar
como lidamos com traumas. "A psicologia ajuda as pessoas a aprender
por que fazem as coisas que fazem e aponta por que poderíamos fazer as
coisas de uma maneira mais fácil. Tem a ver com mudanças de atitude em
relação ao cérebro."
As novas tecnologias podem até ajudar a visualizar essas mudanças.
"Isso dá para ver bem naquelas tomografias chiques que nós
fazemos: quando uma pessoa supera um medo ou uma obsessão, seja por
medicamentos, exercícios ou psicoterapia, dá para ver como o cérebro
muda e como passa a reagir diferentemente ao mesmo estímulo."
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