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"ECOEPIDEMIOLOGIA....." Texto adaptado do livro O FUTURO ROUBADO de Theo Colborn, Dianne Dumanoski e John Peterson Myers, 2002. São poucas as chances de que seja possível demonstrar uma relação simples de causa e efeito entre um agente individual ou grupos selecionados de agentes químicos sintéticos que alteram hormônios e problemas como a queda na contagem de espermatozóides, que já estamos presenciando. A avaliação dos riscos no mundo real precisa reagir a problemas reais em tempo real. Para satisfazer essa necessidade, alguns ambientalistas começaram a desenvolver um método de avaliação conhecido como ecoepidemiologia. De acordo com ela, julgamentos práticos e decisões são tomados com base no conjunto das evidencias coletadas de várias fontes, inclusive dados sobre vida silvestre, estudo de laboratório e pesquisas sobre os mecanismos de ação hormonal ou toxicidade. Este enfoque avalia a totalidade da informação sob a luz dos critérios epidemiológicos para determinar causalidade, por exemplo: se a exposição acontece antes do efeito; se existe uma associação consistente entre um contaminador determinado e certos danos; e se a associação é plausível tendo em vista o conhecimento atual sobre os mecanismos biológicos. Porém, este trabalho de detetive ambiental do mundo real é julgado com base no "peso da evidência", não com base no ideal científico de provar as coisas, que é mais apropriado para experiências controladas de laboratório e para prática da ciência do que para a resolução de problemas e para a proteção da saúde pública no mundo real. Como algumas pessoas já observaram, a ecoepidemiologia é parecida com o processo de decisão que um médico usa para diagnosticar um caso de apendicite - quando uma falha em agir pode ter graves conseqüências. Da mesma forma que op acúmulo de evidencias e as interferências a partir do bom senso levaram à conclusão de que fumar causa câncer, talvez em breve seja possível concluir, ou mesmo provar, com base no peso das evidências, que os agentes químicos que alteram hormônios estão relacionados ao aparecimento de câncer testicular, à queda na contagem de espermatozóides no sêmen e às dificuldades de aprendizagem e deficiências de atenção em crianças. O câncer é uma doença dramática, com efeitos devastadores para as vítimas e suas famílias. Embora o câncer seja trágico em nível pessoal, populações saudáveis podem repor rapidamente os indivíduos perdidos para as doenças. Como os agentes químicos alteram hormônios agem ampla e insidiosamente para sabotar a fertilidade e o desenvolvimento, eles podem prejudicar a sobrevivência de espécies inteiras - talvez, a longo prazo, também da espécie humana. Isso pode ser difícil de imaginar em um mundo onde a população humana está crescendo, mas os estudos sobre contagem de espermatozóides sugerem que os contaminadores ambientais já estão tendo um impacto sobre a população humana como um todo, não apenas sobre indivíduos. Em seu assalto ao desenvolvimento, esses agentes químicos tem o poder de diminuir o potencial humano. Em seu assalto à reprodução, não minam apenas a saúde e a felicidade de indivíduos que sofrem com a esterilidade; atacam o frágil sistema biológico que através de bilhões de anos de evolução permitiu que a vida milagrosamente recriasse a vida. |