Horticultura Brasileira Poderá ser mais Competitiva com a Engenharia Genética

06/10/2004

Fonte: O Estado de S. Paulo - SP

As plantas geneticamente modificadas (GMs) tolerantes a insetos, especificamente aquelas que expressam toxinas inseticidas da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), já são realidade em diversos países, especialmente nas culturas do milho e do algodão. Em 2003 foram cultivados no mundo 12,2 milhões de hectares com plantasBte5,8milhõesdehectares com plantas GMs que têm essa característica em conjunto coma tolerância a herbicidas (TH). Desse total, 9,1milhões foram cultivados com milho Bt; 3,2milhõesdehectares com milho THe Bt; 3,1 milhões de hectares com algodão Bt; e 2,6milhões de hectares com algodão Bt e TH. A crescente adoção dessa tecnologia é resultado de redução nos custos de produção em função do menor uso de inseticidas químicos, em comparação com cultivos convencionais. Além disso, há registros de redução de intoxicação de trabalhadores rurais por inseticidas, propiciada pelo uso de plantas de algodão Bt, especialmente na China. A partir de agora a tecnologia Bt começa a chegar às hortaliças. Pesquisadores da Universidade de Agronomia de Tamil Nadu (TNAU), na Índia, estão desenvolvendo variedades de berinjela usando técnicas de engenharia genética. O grupo está transferindo genes Bt de variedades GMs transformadas nas Universidades de Cornell e da Virgínia, nos Estados Unidos, para variedades da planta na Índia. Os pesquisadores da TNAU acreditam que as novas variedades beneficiarão muito os pequenos agricultores indianos. Um estudo realizado na região indicou que o consumo per capita de cereais vem diminuindo, enquanto que, nos últimos 15 anos, o consumo de frutas e hortaliças vem aumentando. Assim, os esforços estão sendo concentrados para desenvolver novas variedades que sejam benéficas tanto para produtores quanto para consumidores. Para os produtores, os benefícios advêm da redução de custos e do uso mais racional de inseticidas químicos. Já os consumidores podem ter hortaliças com menos produtos químicos. Esse é um exemplo de que o intercâmbio entre países pode ser usado para permitir o uso da engenharia genética por agricultores de baixa renda, que têm na atividade familiar a base de seu sustento. O potencial é muito grande para o Brasil, especialmente considerando a excelente capacitação técnica dos pesquisadores que, no País, atuam em instituições públicas e privadas. As perspectivas são ainda maiores se forem consideradas as vantagens que podem ser obtidas pela incorporação dessa tecnologia em cultivos como morango, batata e tomate, dentre outros. O Brasil reúne todas as condições para a criação e a implementação de programas para o uso da biotecnologia na horticultura brasileira. E, mais do que isso, temos a necessidade de estabelecer alternativas para melhorar a qualidade e a competitividade dos nossos produtos no mercado mundial. Tão importante quanto aumentar a produção de grãos é investir e aumentar a produção de frutas e hortaliças. Produtor se protege contra calote e roubo Técnica pode ser aplicada em diferentes cultivos, como o morango, a batata e o tomate Marcos Rodrigues de Faria Serviços na internet servem para pesquisar caloteiros e registrar máquinas roubadas.

Marcos Rodrigues de Faria é engenheiro agrônomo, MSc em Entomologia, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e conselheiro do CIB

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