Evento marca lançamento de Instituto e reúne 50 brasileiros que debaterão a vocação do país Daniele Próspero 15/09/2004
Que
Brasil queremos? Qual é o futuro que nos espera? O que fazer para
transformá-lo? Estas são apenas algumas perguntas que pretendem movimentar as
discussões do evento "DNA Brasil - 50 Brasileiros Param para Pensar a
Vocação do País", que irá reunir, nos dias 16, 17 e 18 de setembro em
Campos de Jordão, São Paulo, um grupo de 50 brasileiros representativos das
mais diversas áreas de atuação - entre cientistas, empresários, médicos,
economistas, antropólogos, artistas, religiosos etc, para discutir estratégias
para o país. Durante o encontro, será lançado ainda o Instituto DNA Brasil.
Segundo Caio Túlio Costa, diretor geral do evento e presidente da Fundação
Semco, a proposta da criação do evento surgiu dentro da Fundação, com o
objetivo de reunir pessoas experientes de diversas áreas com capacidade de
pensar o Brasil estrategicamente e com preocupação multidisciplinar. O
jornalista explica que a idéia é criar na sociedade o hábito de pensar em
longo prazo. "Podemos, a partir da experiência e idéia destes
participantes, tirar consensos mínimos comuns que possam dar indicações do
que o Brasil precisa fazer para chegar a ser um país com igualdade social, onde
as pessoas vivam com qualidade de vida e não exista injustiça. Se tirarmos
deste encontro estas proposições, já é um ganho", comenta.
O evento será realizado a partir de uma metodologia inovadora. Os convidados
não poderão preparar material anterior e os debates serão motivados pelos
organizadores, mediadores (membros do Comitê Idealizador, como o empresário
Emerson Kapaz, o professor Eduardo Giannetti da Fonseca, e o jornalista Leão
Serva, entre outros) e uma série de "agentes provocadores", alunos da
Unicamp treinados para o papel que estarão nas salas e nos corredores
instigando a discussão com a troca de observações pertinentes aos temas que
estão sendo discutidos nas outras salas. Os participantes poderão participar
de diversas mesas redondas, independente da sua especialidade, e irão discutir
temas como "Nós e o mundo"; "Educar, para quê?";
"Novo jeito de trabalhar"; ou "Quem manda em nós?".
A sociedade também irá participar do evento encaminhando perguntas. Algumas
discussões já foram levantadas por cerca de 800 organizações
não-governamentais e institutos, que examinaram os temas com antecedência e
acompanharão o evento via internet. Alunos, pais e professores da rede pública
de educação, espalhados pelo Brasil, também irão acompanhar os debates em
tempo real e poderão encaminhar perguntas dirigidas aos convidados.
Participarão das atividades profissionais como Celso Lafer (Diplomacia), Edna
Roland (Discriminação Racial), Carlos Vogt (Pesquisa), Delfim Netto
(Economia), Hélio Jaguaribe (Sociologia), Luiz Marinho (Sindicalismo), Ministra
Marina Silva (Liderança Comunitária), e outros convidados, como Fernando
Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil, Craig Barret, presidente- executivo
da Intel e Thomas E. Skidmore, professor de História e especialista em Brasil.
Na opinião do convidado Hélio Mattar, presidente do Instituto Akatu pelo
Consumo Consciente, o país está precisando de uma visão de futuro, pois tem
vivido essencialmente o presente e tem deixado de lado uma construção
realizada em conjunto, a partir de um consenso comum. Hélio Mattar quer
discutir no evento a construção de uma nova arquitetura social, ou seja, uma
forma de organizar a sociedade sob a visão de parceria entre governo, sociedade
civil e empresas.
"As organizações têm servido como caixa de ressonância dos problemas
sociais e atuado como laboratório para a solução disso. As empresas também
têm apoiado essas ações, com suas atividades de responsabilidade social, e
têm sido cada vez menos agente produtivo para se tornar agente social. Ou seja,
as ONGs têm esse contato direto com a sociedade diferente do governo, que perde
de vista estes problemas e as prioridades. É preciso apoio para se tornarem
políticas públicas. E o governo vem ouvindo essa nova relação",
comenta.
Para que o evento não fique restrito a esta ação, o Instituto irá produzir
um livro para a rede universitária e livrarias, uma cartilha que será entregue
para a rede de ensino médio e um CD-Rom com a edição dos debates, a fim de
estimular que professores e alunos também parem para pensar estratégias a
longo prazo para o país. Além da realização anual deste grande evento, e a
organização de outros encontros setoriais e multisetoriais ao longo do ano, o
Instituto irá publicar, trimestralmente, o Índice Brasil 360 Graus.
O documento será construído a partir de estudos do Núcleo de Estudos de
Políticas Públicas (NEPP), da Unicamp, e medirá a evolução real da
qualidade do país, unindo dados conhecidos, mas agrupados de forma inédita e
abrangente. De acordo com o presidente da Fundação, os convidados serão ainda
incentivados a, partir de então, desenvolverem uma linha de pesquisa de algum
dos assuntos discutidos durante o encontro. Serão convidados a formar o Comitê
Fundador do Instituto DNA Brasil os 50 participantes do evento; os membros do
Comitê Idealizador; as primeiras 15 empresas que aderirem ao Instituto; e os
patrocinadores, apoiadores e parceiros. Em breve, o Instituto irá inaugurar sua
sede própria na cidade de Campos de Jordão.