Marcha dos atingidos por barragens já está a caminho de Brasília/DF
A
marcha de agricultores atingidos por barragens partiu de Goiânia na última
quinta-feira (13), e tem previsão de chegar a Brasília (DF) na próxima
segunda-feira, 24, em uma caminhada de 12 dias. Participam dela mais de 500
pessoas, que atravessarão sete municípios até chegar à capital federal.
Essa
é uma mobilização organizada pelo MAB - Movimento dos Atingidos por
Barragens, que visa denunciar a situação dos agricultores, exigindo do governo
mudanças na política de construção de hidrelétricas e no modelo energético
do país. A pauta de reivindicações contém onze pontos e já foi encaminhada
ao presidente Luís Inácio Lula da Silva e ao Ministério de Minas e Energia,
segundo Marco Antônio Trierveiler, da coordenação do MAB. De acordo com ele,
os agricultores só deixarão Brasília após uma resposta do presidente da
República, como a data para uma audiência com os trabalhadores rurais.
Segundo Trierveiler, o MAB se encontrará com outras organizações da Via Campesina ao
chegar à capital, entre elas o MST - Movimento dos Sem Terra e o MPA -
Movimento dos Pequenos Agricultores. Trierveiler antecipa que os pequenos
produtores ficarão acampados nos fundos do Palácio do Buriti, sede do governo
do Distrito Federal, nas proximidades do Albergue da Juventude.
“Estamos
há um bom tempo discutindo a pauta com o governo. Nosso objetivo é denunciar a
problemática das famílias dos agricultores. Tem gente passando fome, sem terra
e sem crédito. Estas são reivindicações da pauta, que se estende ainda à
diminuição do valor da energia elétrica e à discussão do modelo de matriz
energética mais apropriado, barato e de menor impacto”, explicou.
Segundo Trierveiler, de cada dez famílias expulsas pela construção de barragens, sete
deixam as terras sem qualquer direito. Para ele, o ponto mais importante é
evoluir na negociação com o governo para a política de tratamento ao
atingido, negociando antes da construção, a fim de garantir direitos básicos
como o acesso à terra. Para o coordenador do MAB, a política do governo parece
contraditória.
“O
Governo pretende construir 70 barragens nos próximos anos, além das 50 em fase
de construção. Pela sua meta de reassentamento, vai haver mais gente sendo
expulsa do que assentada. Aproximadamente, 100 mil famílias vão ser expulsas
por estas obras, número maior que a meta do Governo para reassentar as
famílias”, concluiu.
Com
a construção de barragens, áreas de terras férteis de agricultura familiar
ficam inundadas. O Movimento dos Atingidos por Barragens é uma organização
presente em quinze estados afetados pela construção de hidrelétricas.
(Agência Brasil) Fonte: www.ambientebrasil.com.br