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Ministério do Meio Ambiente propõe mudanças no plantio de florestas Gustavo Faleiros, De São Paulo O novo Ministério do Meio Ambiente vai propor que alguns dos setores mais importantes da atividade industrial, como papel, celulose e siderurgia, mudem a forma de produção de sua principal matéria-prima, madeira reflorestada. Grandes exportadores, estes segmentos representam hoje cerca de 4% do PIB e alertam sobre a necessidade de se ampliar rapidamente a produção de madeira para atender a demanda internacional. O que a nova equipe do Meio Ambiente pretende fazer é traçar um plano para que o plantio das florestas de eucaliptos e pinus não atinja mais grandes áreas contínuas - que chegam atualmente até 70 mil hectares - e passe a ser feito com as características da agricultura familiar. "Achamos que seria mais interessante para o Brasil ter uma política que incentive a dispersão destes plantios do que a concentração de megaplantios", argumenta o novo secretário de Florestas e Biodiversidade, João Paulo Capobianco. Segundo ele, a proposta para as novas áreas de plantio segue a principal diretriz do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, ao criar mais oportunidades de emprego e renda. O cultivo de pequenas florestas se tornaria uma atividade adicional aos pequenos produtores rurais, explica o secretário. A idéia ainda em gestação é uma solução diferente para um dos problemas que mais preocupam os setores que têm as florestas na base de sua produção. A previsão é de que o aumento das exportações e, conseqüentemente, da capacidade da indústria de papel e celulose, das siderúrgicas e dos pólos moveleiros, gere no país uma crise de oferta de madeira, o já intitulado "apagão florestal". O setor de papel e celulose é o maior interessado na solução da crise da madeira que se avizinha. De acordo com a última sondagem industrial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), dentre todos os segmentos, a indústria de celulose e papel é a que está utilizando o maior nível de capacidade - 94,3%. Por estar operando praticamente no limite, o setor planeja investimentos que terão um impacto direto na área florestal. De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Celulose e Papel (Brascelpa), Osmar Zogbi, um plano de investimentos para os próximos dez anos deve ser apresentado em breve, e está prevista a duplicação das áreas plantadas no país. Atualmente, a indústria da celulose planta 152 mil ha/ano e detém 1,4 milhão hectares dos 4,8 milhão hectares plantados no Brasil. A intenção é aumentar para 300 mil ha/ano, e isso passará necessariamente pelo uso de grandes áreas, avalia. Zogbi também argumenta que o plantio das espécies pinus e eucalipto têm ajudado a recuperar áreas degradadas, como antigos pastos e zonas sem cobertura florestal. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS), Nelson Barbosa Leite, se os principais consumidores de madeira reflorestada - produtores de papel/celulose e a siderurgia - mantiverem o ritmo de crescimento nos próximos dez anos, será preciso plantar cerca de 600 mil ha/ ano, sendo que de 50% a 60% seriam efetivamente expansão de áreas. "Se o país crescer mais do que esperado, as áreas também terão que aumentar". Barbosa Leite não crê, contudo, que esta expansão possa se dar unicamente por plantios dispersos em pequenas propriedades. "Para produzir nessa escala seria necessário um grande investimento em equipamentos, assistência técnica e logística", diz. Ele afirma que dificilmente as futuras áreas chegarão a 10 mil ha ou 20 mil ha. Seriam, no máximo, de 3 mil ha. Além disso as florestas de eucaliptos e pinus devem se deslocar da região Sul, que hoje está saturada destas monoculturas, para o Vale do Paraíba, onde as plantações ocupam ainda pequenas faixas ao longo da via Dutra. Capobianco diz que a questão ainda será discutida, mas o plano é criar uma série de incentivos, tributários e creditícios, para que haja uma preferência pelo plantio em pequena escala. |