Poluição genética seria inevitável
Andrew
Pollack
Do New York Times
WASHINGTON. Um novo relatório do governo americano sugere que será muito difícil impedir que plantas e animais geneticamente modificados tenham algum efeito sobre o meio ambiente e as pessoas, ainda que involuntário.
O documento, divulgado pelo Conselho Nacional de Pesquisa da Academia de Ciências dos EUA, diz que, embora muitas técnicas estejam sendo desenvolvidas com o objetivo de impedir organismos geneticamente modificados ou seus genes de se disseminar na natureza, a maioria delas não parece ser eficaz.
- Uma das principais mensagens do documento é que há muito poucos métodos de bioconfinamento bem desenvolvidos - afirmou Anne Kapuscinski, da Universidade de Minnesota, integrante do comitê que elaborou o documento.
Cientistas desenvolvem agora uma grande variedade de organismos geneticamente modificados: salmão que cresce muito mais rápido, mosquitos que não transmitem malária, milho e vacas que produzem remédios.
Uma das maiores preocupações a respeito desses produtos transgênicos é que eles possam se disseminar na natureza. Se um peixe que cresce muito rapidamente, por exemplo, escapa, ele fatalmente se sobressairia em relação aos outros peixes na disputa por comida e parceiros, alterando o equilíbrio ecológico.
Grande parte dos esforços para impedir tais efeitos consiste em barreiras físicas, como criar peixes em tanques e não no oceano.
Mas o novo relatório examina métodos biológicos de contenção, o que os especialistas chamam de bioconfinamento. Isso inclui medidas como induzir a esterilidade dos peixes por meio de um par extra de cromossomos. Bactérias receberiam genes suicidas, que provocariam sua autodestruição, no caso de fuga. Ainda assim, aponta o relatório, nenhum desses métodos é 100% eficaz.
(Publicado em O Globo de hoje)