Áreas Protegidas em Perigo
ONGs lançam a campanha virtual Áreas Protegidas em Perigo contra proposta do senador Mozarildo Cavalcanti (PPS/RR) que restringe a criação de áreas de proteção ambiental e a demarcação de Terras Indígenas.
O
Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), a Coordenação das Organizações Indígenas
da Amazônia Brasileira (Coiab), a Rede Cerrado, a Federação de Entidades
Ecologistas Catarinenses (FEEC), a Rede de ONGs da Mata Atlântica e o Fórum
da Amazônia Oriental (FAOR), com o apoio, entre outros, do Instituto
Socioambiental (ISA), do Greenpeace e do WWF, lançaram nesta
sexta-feira (23/05) a campanha virtual Áreas
Protegidas em Perigo.
A campanha foi elaborada para pressionar o Senado Federal a rejeitar a
Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 38/99, do senador Mozarildo Cavalcanti
(PPS/RR), que altera os artigos 52, 225 e 231 da Constituição Federal de
1988 para limitar em 50% a área de cada Estado passível de ser transformada
em Unidade de Conservação (UC) ou Terra Indígena (TI) assim como
incluir entre as competências do Senado a aprovação da homologação de TIs,
hoje uma tarefa exclusiva do Executivo. Em tramitação desde 1999, a proposta
deverá ser votada em primeiro turno no dia 11 de junho.
O limite sugerido pela PEC restringe a possibilidade do país proteger e
utilizar adequadamente seus recursos naturais, comprometendo em particular a
autonomia de Estados e municípios de gerirem seus territórios a partir de
prioridades regionais e locais. A criação de UCs, como parques nacionais,
parques estaduais, estações ecológicas e reservas extrativistas, representa
hoje um dos mais importantes instrumentos de proteção e uso sustentável de
nossas áreas naturais e está prevista pela Constituição Federal de 1988
como uma das atribuições do Poder Público. É também uma das obrigações
do Brasil como signatário da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB)
durante a Rio-92, com a ratificação pelo Congresso Nacional em 1994.
Embora seja genérica para todo o país, a proposta atinge especialmente a
Amazônia, que concentra a maior parte de nossa cobertura florestal, cerca de
4 milhões de km2, e abriga 170 povos indígenas e milhares de comunidades
tradicionais, e onde, portanto, ainda é possível concretizar efetivamente a
experiência de sustentabilidade no país.
Em relação aos direitos territoriais indígenas, a PEC nega o reconhecimento
dos direitos originários dos povos indígenas sobre as terras que
tradicionalmente ocupam, ou seja, direitos que são entendidos como anteriores
à própria existência do Estado, uma das principais conquistas obtidas com a
Constituição Federal de 1988. Além disso, a intenção de submeter a aprovação
da homologação de Terras Indígenas ao Senado configura inadmissível ingerência
de poderes. Isso porque os procedimentos administrativos para a demarcação
de Terras Indígenas, que envolvem a Fundação Nacional do Índio (Funai), o
Ministério da Justiça e a Presidência da República, obedecem aos princípios
constitucionais do contraditório e da ampla defesa e prevêem a contestação
da demarcação dessas áreas por estados, municípios e terceiros
interessados, até mesmo por parlamentares [para saber mais sobre o processo
de demarcação de Terras Indígenas, clique aqui.
A campanha contra o grave retrocesso do desenvolvimento sustentável do país
e dos direitos territoriais indígenas está hospedada no site do http://www.socioambiental.org
Instituto Socioambiental (ISA). Para participar, o internauta tem apenas que
assinar uma carta eletrônica pronta para ser enviada para todos os senadores,
com cópia para José Dirceu, ministro-chefe da Casa Civil, Márcio Thomaz
Bastos, ministro da Justiça, e Marina Silva, ministra do Meio Ambiente,
pedindo a rejeição da PEC 38/99. (ISA)
Mensagem enviada por Associação de Preservação e Equilíbrio do Meio Ambiente de Santa Catarina (APREMA-SC) - Joinville, SC - aprema@aprema.com.br
Filiada à Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA).