08/10/2003
Nova chefe da Embrapa
Soja toma posse
Manter a competitividade da soja brasileira é um dos desafios que a atual gestão
da empresa vai enfrentar.
Carolina
Avansini
Reportagem Local
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Desenvolver tecnologias que mantenham a competitividade da soja brasileira no mercado internacional e estimular pesquisas que viabilizem a produção da commodity em pequenas propriedades, com ênfase no atendimento de demandas como soja orgânica e para alimentação humana. São esses os desafios que a pesquisadora Vânia Beatriz Castiglioni vai enfrentar na chefia da Embrapa Soja em Londrina. Ela assumiu o cargo ontem, substituindo o pesquisador Caio Vidor, chefe do centro de pesquisa nos últimos quatro anos. A nova gestão deve se caracterizar por programas de pesquisa que tragam impactos sociais, ambientais e econômicos. Isso inclui desde o desenvolvimento de cultivares mais resistentes a doenças e consequente redução da necessidade de agrotóxicos até a divulgação de técnicas de manejo que aumentem a produtividade da soja. A difusão de tecnologias para agricultores familiares é outro aspecto que Vânia pretende valorizar. Segundo ela, na região Sul que concentra 41% da produção nacional de soja a maioria das propriedades é familiar. ''A soja já está nos estabelecimentos, é preciso buscar soluções que melhorem o desempenho'', opinou. O diretor-presidente da Embrapa, Clayton Campanhola, veio de Brasília para coordenar a solenidade de transmissão do cargo. Ele enfatizou a necessidade do centro de pesquisa de soja desenvolver tecnologias para os agricultores familiares. Conforme o pesquisador, 30% das 52 mil toneladas do grão produzidas na última safra vieram de pequenas propriedades. ''Alguns destes produtores adotaram uma gestão empresarial e estão inseridos no mercado. O desafio é integrar os que não estão integrados no processo de desenvolvimento'', opinou. Campanhola afirmou que a agricultura familiar não comporta gastos excessivos com insumos. ''Por isso, a agricultura orgânica pode ser uma solução'', avaliou. Durante seu discurso, o presidente da Embrapa expressou a posição da empresa em relação aos transgênicos. Segundo ele, cabe à instituição atender a demanda da sociedade por informações sobre as consequências dos organismos geneticamente modificados, seja para a saúde humana ou para o meio ambiente. Ele esclareceu, ainda, que as pesquisas com soja transgênica realizadas pela Embrapa são feitas dentro das determinações da lei. ''A soja que está nas mãos dos agricultores não foi produzida pela empresa.''
Gestão anterior
As conquistas relativas à gestão de Caio Vidor também foram enumeradas na cerimônia de posse. Nos últimos quatro anos, a Embrapa Soja saiu do 13º lugar no ranking das 40 unidades brasileiras para conquistar o primeiro lugar nos anos de 2001 e 2002. Vidor enfatizou que, no período, foram desenvolvidas cultivares adaptadas às diferentes regiões climáticas do País. ''A Embrapa Soja é responsável pela oferta de 50% das sementes comercializadas no Brasil'', disse, lembrando que o fortalecimento das parcerias com instituições privadas foi outra característica de sua gestão.