Substâncias Venenosas Estão Escondidas nas Casas e Escritórios Brasileiros
Revela
pesquisa Greenpeace quer que qualquer lei, decreto ou norma incorpore os
Princípios da Substituição e da Precaução e pede que o governo proteja a
população de substâncias químicas tóxicas presentes em produtos domésticos.
Pesquisas
lançadas hoje mostram que a poeira coletada em casas de quatro importantes
cidades brasileiras, em gabinetes de deputados federais e senadores e no prédio
do Ministério do Meio Ambiente, em Brasília, contêm quantidades
significativas de substâncias químicas perigosas, algumas ligadas, inclusive,
ao câncer. O relatório ?Substâncias Químicas Tóxicas na Poeira de Lares e
de Ambientes de Trabalho no Brasil? (1), da Campanha Veneno Doméstico do
Greenpeace, revela que as casas e escritórios pesquisados estão contaminados
por substâncias químicas que são utilizadas na fabricação de utensílios
domésticos utilizados diariamente pelos consumidores, como tecidos,
televisões, cosméticos e brinquedos.
Em
uma conferência de imprensa realizada em Brasília, a organização
ambientalista pediu novas leis a fim de proteger o meio ambiente e os cidadãos
dos perigos dessas substâncias químicas escondidas. Com o Programa Nacional de
Segurança Química (Pronasq) sendo discutido e desenvolvido pela Comissão
Nacional de Segurança Química (Conasq) (2), a organização pede à comissão
que não deixe escapar a oportunidade de propor medidas adequadas para
substituir essas substâncias perigosas por alternativas não tóxicas.
"Esse
relatório reforça os outros estudos semelhantes desenvolvidos pela
organização e revela o fato de que a contaminação por substâncias químicas
tóxicas é generalizada. Ela está ocorrendo dentro de nossas próprias casas,
escritórios. As pessoas conhecem ou suspeitam da poluição dos carros e
fábricas, mas não imaginavam que seus objetos domésticos e de uso diário
sejam tóxicos", disse John Butcher, coordenador da Campanha contra
Substâncias Tóxicas do Greenpeace no Brasil. "Apenas quando as empresas
forem obrigadas legalmente a substituir as substâncias tóxicas por
alternativas não tóxicas é que nós poderemos livrar nosso meio ambiente,
nossas casas e nossas vidas dessas substâncias químicas que nos
ameaçam".
Quatro
amostras de poeira foram coletadas pelo Greenpeace em 50 residências nas
cidades de São Paulo (SP) (3), de Campinas (SP), do Rio de Janeiro (RJ) e de
Porto Alegre (RS). Outra amostra foi coletada em seis gabinetes de deputados
federais e de dois senadores. Uma sexta amostra foi coletada em diferentes
andares e diversos ambientes do prédio do Ministério do Meio Ambiente, em
Brasília (DF). As seis amostras foram posteriormente enviadas para análise ao
laboratório TNO, na Holanda.
As
análises revelaram quantidades significativas de um grupo de 10 substâncias
tóxicas: - alquilfenóis, disruptores hormonais usados em cosméticos e outros
produtos de higiene pessoal; - ftalatos, que são prejudiciais ao sistema
reprodutor e são usados principalmente para tornar o PVC maleável, encontrado
em brinquedos, interiores de carros e cabos. Também é usado em perfumes e
cosméticos, tintas, adesivos e vedadores; - retardadores de chama bromados, que
interferem nos hormônios, usados como substâncias que retardam a propagação
do fogo; - parafinas cloradas, que podem causar câncer, usadas em tintas,
plásticos e borrachas; - organoestânicos, substâncias tóxicas ao sistema
imunológico e usados como estabilizadores em plásticos (especialmente em PVC)
e como tratamento contra mofo e poeira (ácaros) em alguns carpetes e pisos de
PVC; - bifenilas policloradas (PCBs), que podem causar problemas nos sistemas
imunológico e reprodutor e são usadas em transformadores elétricos e
capacitadores; - hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs), que são
potencialmente carcinogênicos e mutagênicos são subprodutos da combustão
incompleto de materiais orgânicos, tais como carvão, combustíveis a base de
petróleo, lixo doméstico, etc; - pesticidas organoclorados que causam uma
variedade de problemas de saúde; - pesticidas organofosforados; - pesticidas
piretróides.
Em
relação aos cinco primeiros grupos de substâncias listados, os fabricantes
alegam que as substâncias químicas estão incorporadas nos produtos e não
representam risco. No entanto, o relatório do Greenpeace revela que isso não
é verdade: as substâncias perigosas podem contaminar nossas casas e nossos
corpos, pela inalação, ingestão ou tato.
"Não
nos é dito, mas estamos cercados por substâncias químicas, cujos impactos na
nossa saúde são muito sérios, principalmente em longos períodos de tempo.
Essas substâncias apresentam três características: são tóxicas; suas
moléculas quebram com dificuldade e lentidão (são persistentes); e se
acumulam em diferentes tecidos de animais (são bio-acumulativas). Essas
características tornam essas substâncias muito perigosas e prejudiciais para o
meio ambiente e nossa saúde pois elas não apenas nos afetam, mas também
nossos filhos e netos", disse Butcher. O risco para nossas crianças é
ainda maior, porque crianças são mais vulneráveis a agentes contaminantes.
Para
o Greenpeace, substâncias químicas perigosas não devem estar em nenhum
produto. ?O incorporação dos princípios da substituição e da precaução
por leis, decretos e normas é fundamental para que as indústrias parem de
utilizar o meio ambiente e a nossa saúde como campo de provas para substâncias
perigosas? disse o coordenador da campanha. A Conasq deve aproveitar a
oportunidade e elaborar um plano que garanta a eliminação das substâncias
químicas perigosas pela substituição por alternativas não tóxicas. Nosso
meio ambiente e nossa saúde dependem disso?, disse Butcher. Para saber mais
consulte o site do Greenpeace: www.greenpeace.com.br
http://www.greenpeace.com.br/
02 de Junho de 2004 - Brasília/DF