Tecnologia reduz consumo de água em até 95%

Os postos de combustíveis e empresas de ônibus poderão brevemente reutilizar até 95% da água consumida em seus serviços de lavagem de veículos e cerca de 90% do custo operacional por metro cúbico de água, ou seja, reduzir para R$ 0,40 ou R$ 0,70 o valor praticado hoje pelas companhias de saneamento, que varia de R$ 5,00 a R$ 7,00. Isso será possível graças ao desenvolvimento de um equipamento de reuso de água feito pelo bolsista do CNPq Fábio Nascimento, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que contou com o apoio do aluno de Iniciação Científica Érico Tabosa. O equipamento está sendo desenvolvido sob a orientação do professor Jorge Rubio, chefe do Laboratório de Tecnologia Mineral e Ambiental da Universidade.

A principal preocupação de Fábio ao conceber esse projeto foi transformar essa técnica em tecnologia e diminuir a geração de água potável para consumos menos nobre. De acordo com ele, no Brasil existem aproximadamente 28 mil postos de combustível e grande parte deles oferecem o serviço de lavagem, consumindo algo em torno de 300 litros de água potável por veículo. Explicou que a água utilizada para esse fim, de um modo geral, é a mesma destinada ao consumo da população, com grandes custos de tratamento e distribuição. Por outro lado, os efluentes gerados nesta atividade estão contaminados principalmente por óleos, graxas, sabões e material argiloso em suspensão que recebem em alguns casos apenas um tratamento preliminar de separação.

O projeto consiste na utilização de um sistema de flotação com o uso de floculante (polímero que agrega as partículas sólidas), que propicia a adesão das partículas (flocos) de óleos, graxas e sólidos suspensos às bolhas de ar, formando flocos aerados que são separados em uma coluna separadora. Fábio explica que o projeto está sendo desenvolvido com troca de experiências com postos de gasolina e empresas de ônibus visando a ocupação da menor área possível e menor custo unitário por metro cúbico.

Alguns equipamentos já estão em teste, inclusive um está instalado no hangar da companhia de aviação Varig, em Porto Alegre, e os resultados superaram até agora todas as expectativas. Fábio disse que dezenas de postos de combustíveis e empresas de ônibus, do Brasil e do exterior, já manifestaram interesse em adquirir o equipamento, mas ele prefere concluir primeiro a fase de testes e obter o registro junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial. A patente, quando concedida, não pertencerá ao bolsista, mas à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a qual ele está ligado.

Um protótipo do equipamento está sendo exposto na XI Feira de Iniciação Científica, que ocorre paralelamente ao XIV Salão de Iniciação Científica da UFRGS. O encerramento do evento está previsto para esta sexta-feira, dia 6, com a premiação dos melhores trabalhos de pesquisa.

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