Música e Transdisciplinaridade:
Ecos e Reflexos, ressonâncias e reflexões da Arte de Ouvir

Relato da Quarta Trans - 22/09/04.

Após 3 dias de intensa chuva em Porto Alegre, um pequeno e corajoso grupo se reuniu para mais uma Quarta Trans, sob a batuta de Antônio da Rosa Maestro, para prestigiar o lançamento de seu novo livro " A Arte de Ouvir".
E, para deleitar-se com as lindas execuções de arranjos de músicas brasileiras tocadas primorosamente em seu violão pelo Maestro, como é carinhosamente chamado pelas crianças com quem trabalha nas escolas.
Neste encontro exercemos uma das mais fundamentais características do ser humano, que é a tradição de nos reunirmos em círculos para Ouvir e Ser Ouvido.
No diálogo, facilitado pela boa música e pela escuta afinada do Maestro se estabeleceu a melhor das lideranças, a circular, onde cada um é líder de si mesmo.Com isso, muitas questões filosóficas, históricas e culturais foram lembradas e consideradas pelo círculo.
Entre elas, a mensagem de nosso palestrante, que tocou nossos corações e mentes com o alerta de que estamos consumindo música morta, enlatada, in vitro, devido às gravações, Cds, amplificações e microfones.Ou seja, a música gravada perde a sua vitalidade; em suas própias palavras escritas em seu livro: " Qualquer música que saia de um alto-falante já não é mais música natural ou integral, a maior parte de seus componentes sutis foi filtrada e fragmentada pelo microfone e o som foi alterado e reorganizado pelos transístores e auto-falantes."
Resgatamos a memória histórica dos tempos em que as pessoas, após um dia de trabalho, reuniam-se em círculos/rodas, no final da tarde, para com seus intrumentos musicais, poesias, contos e relatos épicos celebrarem a vida e a convivência pacífica, aliás, maneira singela e eficaz, para se evitarem os conflitos e para se propiciar a paz.
Neste sentido, vale lembrar que com isso se está, também, realizando terapia comunitária, como atestam as experiências das "peñas criollas", na Argentina, tidas como exemplares pelo movimento anti-manicomial.
Consideramos estas rodas e círculos autênticas manifestações transculturais, e o prefixo TRANS não é moda, como afirmam alguns pedantes intelectuais, disciplinares e temerosos de seus "magníficos reitores"; inadiável mudança de paradigma e movimento de resistência e resiliência a favor da Consciência, sim, ultrapassando os conceitos acadêmicos e os preconceitos reacionários.
Há que se perguntar se o ensurdecedor falatório nos bares e restaurantes que proporcionam música "ao vivo" não é manifestação de uma oralidade regressiva, que obriga as pessoas a serem meros expectadores e consumidores frente a um telão/telinha, que em projeções de massa mantém em dominação subliminar hipnótica as sociedades urbano-industriais, consumidas por um lazer (passatempo!) sem prazer, porque automático e mecânico.
Frisamos que estas questões culturais e políticas que o Maestro e o grupo presente em sua audição foram pensadas em sua complexidade e não se considera que devamos rejeitar in totum as tecnologias eletrônicas ( bem como todas as outras). O que levamos a consideração de todos é a questão indiscutível do uso abusivo das mesmas, aí sim ameaçando o bem comum e a herança cultural da Humanidade, pela extinção de manifestações culturais populares, socialmente insubstituíveis, sob pena de nos tornarmos uma massa indiferenciada (câncer) sobre Gaia.
Concluindo, recomendamos o livro, indispensável para quem quiser tomar consciência destas e de outras tantas questões levantadas pelo seu autor.

Eis, pois, seu serviço:

A Arte de Ouvir, Edição do Autor.

O Autor

Antonio da Rosa Maestro é jornalista, compositor, músico e poeta.
Tem 51 anos de vida, de música e de viagens por todo o Brasil.
Durante a juvantude tornou-se muito conhecido sob o pseudônimo de Cao Guimarães, ganhando inúmeros festivais como compositor, compondo sambas-enredo e escrevendo sobre cultura nos mais importantes jornais de Porto Alegre.
O apelido de Maestro ganhou das crianças nas escolas onde leciona.
Antonio é exímio violonista e tem um estilo muito pessoal de tocar. Em arranjos próprios, executa um interminável repertório de canções, MPB, chorinho, bossa-nova e clássicos internacionais.
Nas sessões de autógrafos de seu livro, o Maestro toca violão no ambiente circunspecto das livrarias, criando um clima todo especial e demostrando ao vivo o poder e a energia da música sobre os ambientes e o espírito humano.

Contatos
Telefone: (51) 3019.1228
Celular: (51) 9839.3743
e-mail: antoniodarosa@ig.com.br

Visite também seu sítio, recomendamos o inspirado artigo, Música e Transdisciplinaridade, que serve de título a este breve relato:

www.osolmaior.hpg.com.br

Autor do relato: Eduardo Sejanes Cezimbra, coordenador do Instituto de Pesquisas Transdisciplinares

Voltar ao Índice